A Ceifeira
Gouache, colored pencils and digital collage
297 mm x 420 mm
Uma ceifeira senta-se nos campos amarelos, entre sulcos de terra e silêncio.
Respira fundo no intervalo de um esforço que parece não ter fim. Não é só uma pausa. É um corpo que ocupa o espaço com firmeza, são as mãos cansadas do trabalho, é o olhar de luta e o ventre da resistência. É um símbolo carregado de memória.
Pelo menos é o que tento registar.
Há camadas que ainda assim não cabem no traço: a fome de décadas, a violência que era rotina, o sangue derramado, o peso de um sistema que calava e explorava. Mulheres como ela trabalharam e lutaram até à exaustão e mesmo assim, foram tantas as que ainda hoje ficam fora dos livros, das celebrações, da memória. É mais que o registo de uma figura. É querer combater o esquecimento. É lembrar que existiram vozes, que existiu força, que existiu a luta. É cuidar da semente que Abril nos deixou.”
Exhibitions
2025